Fiz bico, amarrei a cara, cruzei os braços e passei uma semana sem escrever.
Pô! Nem um comentariozinho sobre as últimas três postagens!
E vocês não estão nem aí, né?
Mesmo com o meu protesto, NADA!
Mas aposto que, se eu fosse o cara do cafezinho, ia ter reclamação, ameaça de greve e tudo o mais.
Quisera eu...
O que me restou? Voltar ao meu triste ofício de blogueiro incompreendido.
Snif.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Ah!rgentina - Parte VII - Bajo su inquieta lucecita
E o que dizer daquele grupo?
Um Paratodos encarnado em terras portenhas, ensinando aos argentinos um pouquinho de brasilidade.
Ali, íntimos desconhecidos, não deram qualquer brecha para que pensassem que até aquele momento jamais haviam se visto.
Rio de Janeiro, Paraná, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais; seis estados, unidos por obra do acaso.
“Acaso” que me faz pensar em quantas pessoas dignas de nota devem ter passado por minha vida sem que eu as tenha percebido: na mesa ao lado, na virada de cabeça, no segundo depois. Ou no antes.
Confesso que, no brinde, não pude deixar de agradecer (em segredo): “obrigado, vida, pela oportunidade”.
No fim, é realmente essa a lei natural dos encontros: deixamos e recebemos um tanto.
E o que de melhor pode haver?
Um Paratodos encarnado em terras portenhas, ensinando aos argentinos um pouquinho de brasilidade.
Ali, íntimos desconhecidos, não deram qualquer brecha para que pensassem que até aquele momento jamais haviam se visto.
Rio de Janeiro, Paraná, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais; seis estados, unidos por obra do acaso.
“Acaso” que me faz pensar em quantas pessoas dignas de nota devem ter passado por minha vida sem que eu as tenha percebido: na mesa ao lado, na virada de cabeça, no segundo depois. Ou no antes.
Confesso que, no brinde, não pude deixar de agradecer (em segredo): “obrigado, vida, pela oportunidade”.
No fim, é realmente essa a lei natural dos encontros: deixamos e recebemos um tanto.
E o que de melhor pode haver?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Ah!rgentina - Parte VI - Dice su ruego de coraje y de pasión
O trio finalmente estava formado.
Os três sabiam desde o início que aquilo tudo seria efêmero: Metoddy teria que partir no dia seguinte.
Asia de Cuba. A entrada mantinha com um esquisito orgulho a mais típica organização latino-americana: Nenhuma.
Aliás, serei justo. Havia uma única: “tem reserva?”, repetia o adestrado leão de chácara.
“Não tem reserva? Espera lá..."
“Lá” era um canto a uns cinco metros da porta, onde algumas dezenas de pessoas amontoavam-se com olhos de cachorro pidão, fiscalizando-se umas às outras e dispostas a atirar um sapato ou um enfiar um canivete no primeiro que inventasse um golpe para passar à frente.
Aqueles seis olhos tiveram que ir pra “lá”, juntar-se à triste multidão.
Mas não por muito tempo.
Foi feito o pregão: “Tem uma mesa de oito lugares vaga! Alguém está num grupo de oito?”
Hector, pra surpresa geral, saltou à frente e berrou: “Nosotros!”
Checando com o rabo de olho, percebeu que sua vida corria perigo.
Ouviu um “Então, meu... Acho que ele está inveintaaando pra passar na freinte!” e notou que dois casais já começavam a se mancomunar para fazer um escândalo.
“Cadê o seu grupo?”, peguntou el león.
(É agora, Hector! Sou mais você...)
“Aqui, aqui”, apontou para Senquévis e Metoddy; “aqui, aqui, aqui”, desta vez, para três mulheres encostadas na grade, que se viravam para trás tentando entender de quem aquele maluco estava falando; e “aqui”, arrematou dando um tapinha camarada num pobre turista que esperava sozinho.
O clima ficou tão pesado que daria até para cortá-lo com uma faca.
Todo mundo olhando meio desconfiado...
“Será?”, era a pergunta que rolava.
Não podiam esperar...
Hector puxou todo mundo pela porta.
O segurança, ainda um tanto incrédulo, tentou um último lance: “Mas aqui só tem sete!”
“Avisa a mi amigo Pedrito que ya estamos en la mesa”, foi o que provavelmente ouviu de Hector, que já berrava lá de dentro.
Daqui não saio, daqui ninguém me tira!
"Garçom, por favor três garrafas de vinho, porque hoje estamos comemorando. A propósito, muito prazer. Quem são vocês?”
Os três sabiam desde o início que aquilo tudo seria efêmero: Metoddy teria que partir no dia seguinte.
Asia de Cuba. A entrada mantinha com um esquisito orgulho a mais típica organização latino-americana: Nenhuma.
Aliás, serei justo. Havia uma única: “tem reserva?”, repetia o adestrado leão de chácara.
“Não tem reserva? Espera lá..."
“Lá” era um canto a uns cinco metros da porta, onde algumas dezenas de pessoas amontoavam-se com olhos de cachorro pidão, fiscalizando-se umas às outras e dispostas a atirar um sapato ou um enfiar um canivete no primeiro que inventasse um golpe para passar à frente.
Aqueles seis olhos tiveram que ir pra “lá”, juntar-se à triste multidão.
Mas não por muito tempo.
Foi feito o pregão: “Tem uma mesa de oito lugares vaga! Alguém está num grupo de oito?”
Hector, pra surpresa geral, saltou à frente e berrou: “Nosotros!”
Checando com o rabo de olho, percebeu que sua vida corria perigo.
Ouviu um “Então, meu... Acho que ele está inveintaaando pra passar na freinte!” e notou que dois casais já começavam a se mancomunar para fazer um escândalo.
“Cadê o seu grupo?”, peguntou el león.
(É agora, Hector! Sou mais você...)
“Aqui, aqui”, apontou para Senquévis e Metoddy; “aqui, aqui, aqui”, desta vez, para três mulheres encostadas na grade, que se viravam para trás tentando entender de quem aquele maluco estava falando; e “aqui”, arrematou dando um tapinha camarada num pobre turista que esperava sozinho.
O clima ficou tão pesado que daria até para cortá-lo com uma faca.
Todo mundo olhando meio desconfiado...
“Será?”, era a pergunta que rolava.
Não podiam esperar...
Hector puxou todo mundo pela porta.
O segurança, ainda um tanto incrédulo, tentou um último lance: “Mas aqui só tem sete!”
“Avisa a mi amigo Pedrito que ya estamos en la mesa”, foi o que provavelmente ouviu de Hector, que já berrava lá de dentro.
Daqui não saio, daqui ninguém me tira!
"Garçom, por favor três garrafas de vinho, porque hoje estamos comemorando. A propósito, muito prazer. Quem são vocês?”
Ah!rgentina - Parte V - Cuando yo te vuelva a ver
Direita ou esquerda? Tanto faz.
É realmente preciso ir a algum lugar? Aqui, não.
Basta andar pelas ruas, almoçar com um bom vinho, tomar um café em qualquer livraria.
Cada vez que vou a Buenos Aires convenço-me de que a graça é não precisar fazer nada. E ainda assim ter um ótimo dia.
É realmente preciso ir a algum lugar? Aqui, não.
Basta andar pelas ruas, almoçar com um bom vinho, tomar um café em qualquer livraria.
Cada vez que vou a Buenos Aires convenço-me de que a graça é não precisar fazer nada. E ainda assim ter um ótimo dia.
Ah!rgentina - Parte IV - Vuelan los años, se olvida el dolor
Uma hora, o momento tinha que chegar. E chegou.
O carro corria as autopistas, e eu revia, relembrava, reconhecia os taxistas mal humorados, as placas, os bairros, os prédios avarandados e desengonçados, as estórias.
Buenos Aires.
Já fazia dois anos, mas eu estava de volta.
Há quanto tempo pisei aqui pela primeira vez?
Mais que cinco, menos que dez anos; algo nesse espaço.
Um tanto mais jovem, muito menos conhecedor da vida.
Alguém melhor, talvez. Provavelmente. Com certeza.
Puyerredón, Jujuy, Catamarca...
O carro para no pedágio, e eu me lembro daquela vez em que ficamos presos aqui na entrada de La Boca, sem dinheiro para pagar o pedágio.
Eu e um irmão que não está mais aqui comigo.
Mesmo assim eu rio.
Rio um pouco mais do que ri naquela hora.
Rio agora por mim e por ele.
Buenos Aires tem cheiro de saudade.
O carro corria as autopistas, e eu revia, relembrava, reconhecia os taxistas mal humorados, as placas, os bairros, os prédios avarandados e desengonçados, as estórias.
Buenos Aires.
Já fazia dois anos, mas eu estava de volta.
Há quanto tempo pisei aqui pela primeira vez?
Mais que cinco, menos que dez anos; algo nesse espaço.
Um tanto mais jovem, muito menos conhecedor da vida.
Alguém melhor, talvez. Provavelmente. Com certeza.
Puyerredón, Jujuy, Catamarca...
O carro para no pedágio, e eu me lembro daquela vez em que ficamos presos aqui na entrada de La Boca, sem dinheiro para pagar o pedágio.
Eu e um irmão que não está mais aqui comigo.
Mesmo assim eu rio.
Rio um pouco mais do que ri naquela hora.
Rio agora por mim e por ele.
Buenos Aires tem cheiro de saudade.
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