Havia um, e só um, lugar que Hermana e Senquévis faziam questão de conhecer.
Pão de açúcar, Corcovado, Ipanema, Lagoa? Que nada! Quem disse que eles estavam na cidade maravilhosa para fazer turismo?
O que queriam mesmo era saber como é a tal da champanheria.
E Hector, como bom anfitrião, não poderia deixar de atender aos efusivos desejos dos amigos.
Como já era de se esperar – considerado o preço médio da especialidade local –, escolheram as bebidas com base na coluna da direita do cardápio.
E não sei se foi de tanto olhar para aquele lado que Senquévis e Hermana acabaram saindo de lá tortos (muito embora a descrição mais exata tenha algo a ver com “engatinhar”).
Enfim, insaciáveis como são, insistiram em prorrogar sua noite com bebidas, digamos assim, menos nobres.
No popular, afogaram o restante de seus fígados em infindáveis baldes de cerveja.
E houve quem não tenha conseguido lidar com a mistura.
Hermana, por exemplo, não pôde dormir naquela noite.
Berrava que iria se recusar a ficar em casa com os... fantasmas!
Ah!, pobre menina provinciana...
Acho que o champanhe ainda não chegou por aquelas bandas.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Um uiquéndi com vocês - Parte VII - Mochila, etc
O óbvio: é possível saber muito sobre alguém só pelas roupas e pelos acessórios que ela veste.
Por isso, todo mundo achou meio estranho quando Senquévis saiu para dar um passeio com a mochila nas costas. O que haveria de tão importante ali?
E o mistério permaneceu bem guardado por um bom tempo.
Mais precisamente, até a hora do café na Confeitaria Colombo.
Bastou Hermana perguntar se alguém tinha uma caneta, que Senquévis, veloz feito um leopardo, sacou de suas costas um estojo completo. Lápis, lapiseira, esferográfica, marca texto, borracha, corretivo. Tudo de que absolutamente não se precisa numa tarde de sexta-feira no Rio.
Ficamos todos sem entender o porquê de tanto grude com o material escolar.
Alguma trauma infantil? Teria o polaco sido alguma vez severamente castigado na escola por esquecer suas canetas?
Ninguém sabe.
Mas consigo até imaginá-lo, ao som da 9ª sinfonia, beijando tampinha por tampinha e dizendo com voz melosa: “Viram? Eu não jurei que a gente nunca mais se separaria?”
Por isso, todo mundo achou meio estranho quando Senquévis saiu para dar um passeio com a mochila nas costas. O que haveria de tão importante ali?
E o mistério permaneceu bem guardado por um bom tempo.
Mais precisamente, até a hora do café na Confeitaria Colombo.
Bastou Hermana perguntar se alguém tinha uma caneta, que Senquévis, veloz feito um leopardo, sacou de suas costas um estojo completo. Lápis, lapiseira, esferográfica, marca texto, borracha, corretivo. Tudo de que absolutamente não se precisa numa tarde de sexta-feira no Rio.
Ficamos todos sem entender o porquê de tanto grude com o material escolar.
Alguma trauma infantil? Teria o polaco sido alguma vez severamente castigado na escola por esquecer suas canetas?
Ninguém sabe.
Mas consigo até imaginá-lo, ao som da 9ª sinfonia, beijando tampinha por tampinha e dizendo com voz melosa: “Viram? Eu não jurei que a gente nunca mais se separaria?”
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Um uiquéndi com vocês - Parte VI - “Bater perna”,
...no imenso dicionário de sabedoria popular, significa andar, caminhar sem rumo.
Mas, eu, na minha infinita ignorância, nunca tinha compreendido a fundo o sentido da expressão.
Aliás, o que há de tão especial nas pernas?
Elas são, como a maior parte do restante, ossos envolvidos em pedaços de carne.
Não têm quase nada de excepcional; sem grandes curvas, sem desenhos, quase nenhuma articulação.
Mas não posso negar que, ainda assim, sou seu grande fã.
E, palavra de entendedor, mesmo com tantas pernas espalhadas por aí, acredito piamente que é impossível encontrar dois pares iguais.
E aquele par, "djesus!", era simplesmente de enlouquecer.
Tanto que guiou não só os próprios passos pelo Centro da cidade, mas também – e principalmente – os nossos.
Confesso que nunca gostei tanto de bater perna.
Mas, eu, na minha infinita ignorância, nunca tinha compreendido a fundo o sentido da expressão.
Aliás, o que há de tão especial nas pernas?
Elas são, como a maior parte do restante, ossos envolvidos em pedaços de carne.
Não têm quase nada de excepcional; sem grandes curvas, sem desenhos, quase nenhuma articulação.
Mas não posso negar que, ainda assim, sou seu grande fã.
E, palavra de entendedor, mesmo com tantas pernas espalhadas por aí, acredito piamente que é impossível encontrar dois pares iguais.
E aquele par, "djesus!", era simplesmente de enlouquecer.
Tanto que guiou não só os próprios passos pelo Centro da cidade, mas também – e principalmente – os nossos.
Confesso que nunca gostei tanto de bater perna.
Um uiquéndi com vocês - Parte V - Um'o quê?!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Auto-ajudem-se
Sempre às quartas-feiras ocorre um importantíssimo evento gastronômico, seguido de um cafezinho na livraria.
Nesses dias, são assunto recorrente os “livros” que ficam na primeira prateleira da loja. Isso. Aqueles: “História da religião em quadrinhos para crianças com baixo QI”, “Wonderland – escrito pelo espírito Michael Jackson”, “Lady Gaga – A história de uma diva” e, principalmente, quilos (é essa a unidade de medida mais adequada à qualidade) de obras de auto-ajuda.
O atestado de óbito literário dos pretensos escritores, grosso modo.
E foi num desses encontros que surgiu a ideia para um futuro best seller que escreverei, contando, é claro, com as sempre pertinentes ilustrações de Juan: “Como seu namorado não descobrir que você é uma psicopata que lê livros de auto-ajuda (para a hipótese, improvável, de você arranjar um)”®.
É verdade que o papel aceita qualquer coisa. Então o que me surpreende é que alguém se disponha a ler esse tipo de porcaria.
Mas eu, que quero mesmo é encher o meu bolso de bufunfa, não estou nem aí pra isso.
Aguardem!
Na prateleira mais próxima da entrada da livraria mais perto de sua casa.
Nesses dias, são assunto recorrente os “livros” que ficam na primeira prateleira da loja. Isso. Aqueles: “História da religião em quadrinhos para crianças com baixo QI”, “Wonderland – escrito pelo espírito Michael Jackson”, “Lady Gaga – A história de uma diva” e, principalmente, quilos (é essa a unidade de medida mais adequada à qualidade) de obras de auto-ajuda.
O atestado de óbito literário dos pretensos escritores, grosso modo.
E foi num desses encontros que surgiu a ideia para um futuro best seller que escreverei, contando, é claro, com as sempre pertinentes ilustrações de Juan: “Como seu namorado não descobrir que você é uma psicopata que lê livros de auto-ajuda (para a hipótese, improvável, de você arranjar um)”®.
É verdade que o papel aceita qualquer coisa. Então o que me surpreende é que alguém se disponha a ler esse tipo de porcaria.
Mas eu, que quero mesmo é encher o meu bolso de bufunfa, não estou nem aí pra isso.
Aguardem!
Na prateleira mais próxima da entrada da livraria mais perto de sua casa.
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